Como escrevo?

Entrevista que dei para o projeto “como eu escrevo” (https://comoeuescrevo.com/), que reúne relatos de professores, escritores e pesquisadores sobre seus hábitos e rotinas de escrita. Acabei descobrindo muito sobre eu mesme.

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Parte 1:

Como você começa o seu dia? Você tem uma rotina matinal?

Eu acordo sempre de manhã bem cedo, né, por volta de seis e meia da manhã. Geralmente vou para o micro e tento escrever. Quando vou escrever um conto, uma história, fico pensando nela o tempo inteiro. Então se estou dirigindo penso na história, se estou andando na rua penso na história, se estou conversando com alguém no trabalho penso na história. E ai acontece é que fico o tempo inteiro pensando na história, ciclicamente, como ume louque.

Vou dormir pensando na história, entende? Estou o tempo inteiro com detalhes na minha cabeça, repassando situações e tropos na minha cabeça. Às vezes, penso “ah… interessante fazer assim, fazer assado”, e geralmente quando acordo, na primeira hora da manhã, consigo botar aquilo no papel. Digo geralmente porque muitas vezes resolvo ver algum anime! Mas no início quero colocar no papel ao menos dois parágrafos. Assim, vou escrevendo nesse momento claro da manhã, quando tudo funciona. Aí posteriormente pego um tempo livre para reunir esses excertos, pensar nos ganchos.

Em que hora do dia você sente que trabalha melhor? Você tem algum ritual de preparação para a escrita?

Sempre trabalho melhor de manhã, né. Acordo cedo porque acordo, não é uma coisa programada. É o horário que acordo desde pequene. Mas assim, ritual… não tenho. Gosto muito de fazer as coisas com determinada liberdade. Então a melhor maneira é quando produzo com prazer… Eu diria assim: não escolhi a manhã. Mas com relação a uma rotina de escrita, não posso ter, senão as coisas ficam muito feias, ficam mecânicas.

Outra coisa também interessante é que geralmente fico trabalhando duas histórias ao mesmo tempo na cabeça. Não consigo pensar no mesmo enredo o tempo inteiro, fixamente. Eu canso. Então preciso estar pensando em duas histórias.  Por isso sempre estou escrevendo e lendo no mínimo duas coisas. Pode ser um conto e um poema, um romance e um conto, mas sempre duas tramas na minha cabeça. Porque me canso de tramas facilmente. Fico pensando: “ah não… João vai subir a árvore”, e então: “porra, João vai subir a árvore. Como se sobe uma árvore? Precisa de algo para subir uma árvore? Subiu mesmo? Sobe ou não sobe a árvore? Ah, ele pode subir a árvore com uma corda… pode subir a árvore na mão, pode ser um cara exímio escalador de árvores. Ele pode ser o cara que usa garras para escalar a árvore e tal”. E depois de ficar um bom tempo pensando nisso, metade do dia, chega depois do almoço e já estou de saco cheio de ficar pensando só naquilo. Então preciso de uma segunda história para transitar entre uma trama e outra, e não ficar cansade de escrever ou de raciocinar sobre os mesmos personagens.

Respostas transcritas por @frodecactus